2019
set
06
Foto: Faiara Assis
Palestra

Universidade debate os desafios da licenciatura e do ensino da Química no século XXI

O evento ocorreu na sala M 209, nesta quinta-feira, e recebeu professores de escolas públicas e particulares do DF

O percentual de estudantes que querem ser professores vem diminuindo ao longo dos anos no Brasil, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O último relatório de Políticas Eficazes para Professores, de 2015, foi baseado nas respostas de estudantes de 15 anos ao questionário do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), avaliação da qual participaram 70 países. No Brasil, de acordo com o questionário do último Pisa, a porcentagem dos que esperam ser professores é ainda menor que a média dos países da OCDE, 2,4%. Outra pesquisa mostra que o número de ingressantes em cursos de licenciatura presenciais caiu 10% entre 2010 e 2016, segundo o Sindicato das Mantenedoras de Ensino Superior (Semesp). No mesmo período, os concluintes desses cursos caíram 7,6%.

Pensando a respeito da crise nos cursos de licenciatura e quais são os desafios dos novos professores, foi realizado, na noite de 5 de setembro, na Universidade Católica de Brasília (UCB), o evento “ Desafios do Ensino da Química no século XXI”, proposto pelo curso de licenciatura em Química da UCB. A discussão contou com a participação de egressos, professores de instituições privadas e estudantes.

“Estamos fazendo essas discussões dentro das licenciaturas, porque estamos em crise. O nosso intuito com o debate é trazer um pouco desse olhar. Em tempos de crise, precisamos nos reinventar”, disse a assessora do curso de Pedagogia da UCB e coordenadora do evento de licenciatura, Prof.ª Ma. Carla Cristie de França.

“Como que o estudante vai pensar em materiais didáticos para ensinar química se ele não está vendo o que acontece na escola? A nossa ideia é que antes dele ir de fato para a sala de aula, que ouça um pouco da experiência de profissionais que já estão no mercado de trabalho, em escolas públicas e particulares, para relatar um pouco dos desafios que eles têm no cotidiano e se realmente é possível aplicar aquilo que a gente se propõe, por exemplo, aplicar um jogo. Além disso, temos uma camisa de força dos grandes exames (Exame Nacional do Ensino Médio – ENEM, Programa de Avaliação Seriada para Acesso ao Ensino Superior – PAES) que muitas vezes limitam a prática desse professor. A partir desse cenário, até que ponto o professor consegue fazer um trabalho diferenciado, significativo e atrativo para que realmente o aluno possa aprender?”, questionou a professora Carla Cristie.

O Mapa do Ensino Superior no Brasil de 2017 mostra uma queda nas matrículas em licenciaturas em todo o país. Especialistas alertam para o risco eminente de um “apagão” de professores e sugerem medidas para incentivar bacharéis a lecionar. Cerca de 40% das matrículas estão concentradas nos cursos de Direito, Administração, Engenharia Civil e Enfermagem. Entre 2010 e 2016, os bacharelados cresceram 28%, enquanto as licenciaturas tiveram uma queda de 5%.

“Eu acredito que a queda do número de inscritos em cursos de licenciatura se dá pela falta de respeito com o professor por parte dos governantes. Além disso, é uma profissão que se exige muito. Quem é professor é por 24h, e com o avanço das tecnologias, precisamos dar muito mais, buscar novas formas de ensinar e aprender. O professor não pode ser mais aquele que quer transmitir conhecimento, ele precisa ter novas propostas, novas formas de ensinar, e tudo isso não é fácil. Será que o profissional que foi formado há 20 anos domina realmente as tecnologias que estão presentes no cotidiano? Essa atualização permanente, esse status de desvalorização financeira, falta de reconhecimento são todos os aspectos que contribuem para a falta de desejo pela profissão”, destacou a professora Carla Cristie.

A utilização de tecnologias em sala de aula pode aproximar a realidade de professores e estudantes. Professores capazes de tirar proveito dos benefícios que a tecnologia pode trazer aos processos de ensino e aprendizagem são capazes de atuar de maneira mais atraente e inovadora junto aos seus alunos. Recursos como tablets, lousas digitais, celulares, aplicativos e acesso à internet permitem que as aulas ganhem vida nova, podendo apresentar os conteúdos aos seus alunos por meio de plataformas atraentes e mais próximas dos seus hábitos. Segundo a professora Carla Cristie, o protagonismo do estudante é essencial para a mudança do paradigma dentro de sala de aula. “Nas aulas, nós precisamos promover o protagonismo do estudante. Ele precisa ser envolvido no processo. Ele não pode estar ali somente para receber conteúdo, por isso o conceito de educação bancária é polemico e defasado, pois, quando o estudante se envolve ele vira um agente ativo nesse processo de ensino e aprendizagem”, disse.

Um dos convidados a falar com os estudantes e passar um pouco da sua rotina em sala de aula foi o egresso da UCB, Pedro da Silveira Gonçalves. Ele é professor de uma escola particular do Distrito Federal e destacou a sua atuação no ensino da Química. “Eu pude dividir um pouco da minha experiência em sala de aula, após ter me formado recentemente e já estar atuando”, disse.

Segundo Josélia Tavares da Mata, professora de Química da Secretaria de Educação há 24 anos e atualmente vice-diretora do Centro de Ensino Fundamental 4 (CEF 4), “o nosso desafio é enorme! Temos em nossa grade horária, no Ensino Médio, apenas duas aulas de Química por semana. Então, você imagina um conteúdo tão vasto, tão fascinante e não temos a oportunidade de incentivar os nossos estudantes, de plantar a semente do conhecimento, a estudar as ciências exatas. Temos ainda questão de laboratório, que nem toda escola tem, então a parte da experimentação fica muito prejudicada, desde o Ensino Fundamental”, citou a professora Josélia sobre os desafios nas escolas públicas.

Publicado por Rodrigo Eneas

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