2019
nov
13
Fotos: Faiara Assis
Câmpus Taguatinga

Genocídio ucraniano é tema de palestra e exposição na UCB

Embaixador da Ucrânia no Brasil palestrou e inaugurou mostra fotográfica sobre o Holodomor nesta quarta-feira (13)

A Universidade Católica de Brasília (UCB) recebeu nesta quarta-feira (13) o embaixador da Ucrânia no Brasil, Rostyslav Tronenko, que ministrou uma palestra e inaugurou a exposição fotográfica homônimas: “Ucrânia 1932-1933: Genocídio pela fome”. Participaram do evento, no Auditório do Bloco K, estudantes, professores, a Reitoria da UCB e o embaixador da Geórgia no Brasil, David Solomonia.

Tronenko foi recepcionado pelo reitor da UCB, Prof. Dr. Ir. Jardelino Menegat, que agradeceu a presença do diplomata e do público presente, e abriu o evento.  “Sei que há muitos eventos difíceis na história da Ucrânia, mas o que salvou o país foi a fé. Sei que o povo ucraniano é muito religioso, espiritual e acolhedor. E nos momentos de dificuldade, as pessoas se unem. Talvez isso seja uma grande aprendizagem. ”

Na sequência, o embaixador ucraniano apresentou o Genocídio Ucraniano ou Holodomor, termo que deriva da expressão ucraniana “Морити голодом” (moryty golodom), que significa morrer de fome. O episódio representou um dos mais trágicos capítulos da história do país, devido ao enorme número de vítimas. Estima-se que mais de 7 milhões de pessoas morreram devido ao bloqueio de alimentos feito pelo ditador soviético Josef Stalin, nos anos de anos de 1932 e 1933.

“Holodomor é a fome organizada deliberadamente pelo regime totalitário de Stalin no território ucraniano, durante a União Soviética. A colheita dos produtores rurais ucranianos foi retirada pelos soviéticos por causa das rebeliões dos ucranianos, que não aceitaram abdicar-se de suas terras”, explicou o embaixador.

 

Tragédia silenciada

O diplomata falou também a respeito da falta de publicidade sobre o assunto ao longo da história. “Foi um crime duas vezes. Deixaram as pessoas morrerem e a história foi calada pela propaganda soviética. Existe opinião baseada nos estudos históricos a qual diz que caso o Holodomor não tivesse sido calado e silenciado pela propaganda soviética, certamente o Holocausto organizado pelos nazistas poderia ser evitado. O silêncio ensurdecedor fez com que a impunidade fosse possível de outras formas, como foi o Holocausto”, disse.

A partir de 2003, o Holodomor passou a ser reconhecido como genocídio por países como Argentina, Austrália, Canadá, Colômbia, Equador, Geórgia, Estados Unidos, Estônia, Itália, Hungria, Letônia, Lituânia, México, Polônia, Paraguai, Peru, Portugal e Vaticano.

“Que essa tragédia nunca se repita no futuro. Espero que chegue o dia em que o Congresso Nacional do Brasil reconheça essa tragédia, assim como reconhece o Holocausto judaico e o genocídio contra os armenos”, declarou Tronenko.

 

Passado

O povo ucraniano se opôs às políticas soviéticas a partir de 1917, sendo que um ano depois foi proclamada a República Popular da Ucrânia. No entanto, em 1922, o país foi anexado à União Soviética. As ideias nacionalistas da Ucrânia cresceram não só nas aldeias remotas, mas também nos altos escalões do Partido Comunista da Ucrânia.

O Kremlin, simultaneamente com as perseguições de intelectuais e líderes da Ucrânia, usou a fome como uma arma política para destruir o nacionalismo ucraniano.

Em 1932, a URSS aumentou para 44% a quota de fornecimento obrigatório de cereais da Ucrânia. O governo estava ciente de que esta quota extraordinariamente elevada provocaria uma escassez de cereais e incapacidade dos camponeses ucranianos de se alimentar. A lei soviética foi clara: nenhum grão poderia ser dado para alimentação dos camponeses até que a quota fosse atingida.

As tropas do exército soviético, da Direção-Geral Política (GPU) e unidades da polícia secreta NKVD foram usadas para que os camponeses não pudessem esconder cereais do governo. Os cereais foram coletados e armazenados em silos cuidadosamente guardados pelos soviéticos, enquanto os ucranianos morriam de fome.

Entre 1931 e 1933, a política stalinista de distribuição de alimentos também causou milhares de mortes em outras regiões da URSS, sobretudo no Cazaquistão, Cáucaso do Norte e território do rio Volga, locais com maior resistência à política de coletivização agrícola de Stalin.

 

Presente

Passados mais de 80 anos, a Ucrânia voltou a enfrentar problemas com os vizinhos russos. Contrária à escolha ucraniana de se aproximar do Ocidente, mas alegando defender russos étnicos em território ucraniano, a Rússia lançou uma ofensiva militar contra o país e anexou a Crimeia e ocupou as regiões de Donetsk e Lugansk. Desde 2014, foram mortas mais de 10 mil pessoas, 24 mil foram feridos e mais de um milhão e meio se tornaram refugiados internos, segundo dados da ONU.

 

Exposição fotográfica

A exposição “Ucrânia 1932-1933: Genocídio pela Fome” fica disponível no Hall do Auditório do Bloco K até o dia 30 de novembro. São 15 painéis montados que mostram o contexto histórico e as consequências do programa de forçada reorganização da agricultura na Ucrânia, durante da ditadura do Josef Stalin na União Soviética, que matou milhões de ucranianos. Prestigie!

 

Publicado por Adson Boaventura

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