2020
mar
30
Novo Coronavírus

Como preservar a saúde mental durante a pandemia?

A prof.ª M. ª Andréa Garzesi, em conjunto com sua turma de “Intervenção em Crise e Emergência 1°/2020”, respondeu algumas questões sobre como preservar a saúde mental durante a pandemia do coronavírus

As epidemias costumam provocar um pânico generalizado na população, principalmente quando não se tem total conhecimento sobre a doença — é o caso da infecção pelo novo coronavírus (chamado de Sars-Cov-2). Esse tipo de situação pode abalar a saúde mental, causando estresse e ansiedade. A Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou orientações para preservar o bem-estar durante a pandemia. Os recados vão desde as atitudes que devemos ter com outros até maneiras de explicar a situação para crianças.

Segundo a professora de Psicologia da Universidade Católica de Brasília, Andréa Garzesi, tal situação demanda uma ressignificação do processo em que estamos vivendo. “Afinal, se focarmos o nosso olhar para a pandemia considerando as consequências prejudicais que podem ser desencadeadas, alimentaremos nosso medo, ansiedade e frustração, e assim, potencializaremos a distorção da realidade, ainda, alimentaremos aquilo que não podemos controlar, ao invés de nos tornarmos produtivos e ativos em outras áreas, ficaremos paralisados diante da situação. É necessário tomarmos consciência, para reinventarmos diante do evento. É uma boa hora de buscarmos meios alternativos para a ociosidade em que vivemos nesse momento de impedimento de contato físico e social. Vamos buscar estratégias que possam fortalecer os vínculos sociais, no momento de Isolamento social”, explicou.

A professora Andréa contou com a ajuda da turma: Intervenção em Crise e Emergência 1°/2020 para elaborar uma série de perguntas e respostas que surgem durante esse isolamento social e o que isso acarreta para a saúde mental da população:

 

  • Vamos compreender que cada pessoa terá reações diferentes durante o período de isolamento. Portanto, precisamos entender as necessidades do outro;
  • Se (re) descubra como escritor (a), pintor (a), adestrador (a) de animais, cozinheiro (a), enfim, tudo que já teve vontade antes mas deixou para depois. Eis a hora, procure identificar atividades que você gosta de realizar;
  • Procure trazer a memória e compartilhar com amigos e familiares, mesmo a distância por meio de mídias sociais, momentos e situações vivenciadas que tragam esperança;
  • Estabeleça contato com as avós e avôs, uma sugestão: instigando ele (a) a contar suas histórias de vida, mostrar os álbuns de fotos;
  • A tecnologia é uma forma de nos aproximar nesse momento em que estamos em afastamento social;
  • Para além de tarefas, também busque, acolher e compreender as crianças, pois elas poderão apresentar uma dificuldade de compreender a situação como nós adultos, e por isso poderão ficar mais agitadas, irritadas, emotivas, etc.
  • Pais ou responsáreis realizem atividades juntos com as crianças, assim, os mesmos não fiquem por muito tempo conectados a aparelhos eletrônicos e ou, internet. Algumas brincadeiras: Jogo de varetas; Serra-serra, serrador; Morto-vivo; Adoletá; Estátua; Cabo de Guerra; Adedonha; Corrida no saco; Mímica; Origami; Dama; Xadrez; Jogo da Velha; Anagramas; Forca; Busca ao dicionário (significado da palavra) quem achar primeiro; Dança das cadeiras; Dominó; Jogo da Memória; Telefone sem fio.
  • Existem várias possibilidades. O importante é manter uma rotina, organizar a vida das crianças para esse momento. Elas também sentem o impacto do isolamento social.
  • Ligar e conversar com as pessoas que estamos com saudades. ( avós, primos, colegas , amigos);
    Fiquem atentos: mantenham hábitos de sono e alimentação saudáveis e controlados, para evitar sensações como cansaço, improdutividade e afins. Sabemos que uma rotina de sono saudável ajuda na aprendizagem de novos conteúdos, na fixação da memória, nos níveis de atenção e disposição.
  • Evite excessos das informações repetitivas a respeito da situação social. Prefira resgatar memórias passadas, organizando aquele álbum de fotos, compartilhando com as pessoas lembranças prazerosas.
  • Importante filtrar informações: nestes períodos, é muito comum o compartilhamento de informações em massa, portanto é sempre importante procurar informações em veículos de comunicação confiáveis (como os governamentais, por exemplo). O excesso de informações pode contribuir para o aumento dos níveis de ansiedade, portanto, é importante manter este filtro para que não se crie um ambiente de mais ansiedade;
  • Algumas pessoas tÊm como gatilho da ansiedade a sensação de inutilidade e improdutividade, então estabelecer pequenas metas pro dia-a-dia pode ajudar bastante;
  • Sentimentos e comportamentos como tensão constante, pressentimento de que algo ruim vai acontecer, medo, ansiedade, tristeza, pensamento acelerado ou focado em um problema com dificuldade de esquecimento, agitação corporal, poderão aparecer nesse momento, fiquem calmo, pois são reações comuns e normais diante da situação que estamos vivendo.
  • Caso a frequência desses sentimentos seja aumente, procure um atendimento do profissional online.
  • Busque podcasts que possam contribuir para o seu estudo/trabalho. Eles ficam disponíveis em várias plataformas e muitos são gratuitos e por serem apenas áudio você pode realizar alguma outra atividade enquanto escuta;
  • Apoie emocionalmente uns aos outros através de uma escuta ativa;

 

OBS: Utilize as sugestões acima de acordo com a sua necessidade e desejo! 

 

A professora e o grupo de estudantes também elaboraram algumas reflexões para serem feitas durante o período de quarentena:

 

  • Muitos estão perdidos em suas próprias casas e mesmo estando na presença do outro, estão se deparando com uma realidade de solidão, pois no dia-dia não cultivaram seus relacionamentos e se deram conta que só nesse extremo, certas áreas da vida precisam ser restabelecidas e reconfiguradas.
  • Outros estão perdidos em sua própria companhia, e é o momento ideal para o desenvolvimento do autoconhecimento. Não é momento de lamentarmos, mas de ressignificarmos essas vivências.
  • Para os pais que sempre reclamaram da falta de tempo para se dedicarem aos filhos, pois bem, chegou a hora. Dedique tempo aos interesses dos seus filhos e sejam participantes ativos de suas rotinas, afinal vocês podem conciliar o home office com os demais interesses.
  • É possível fazer-se presente estando longe. Para os grupos de risco, em que não se aconselha o contato físico, como os idosos, um meio estratégico de estar presente e mostrar afetividade, seria ligando todos os dias, ouvindo as suas angústias e se necessário, suprindo com aquilo que eles não podem fazer no momento por questão de prevenção.
  • Faça um exercício de autopercepção e identifique os gatilhos da sua ansiedade. Passar horas no jornal, ouvindo notícias ruins te faz bem? Se te impulsiona a se reinventar nessa crise, tudo bem! Mas se te aciona mecanismos de pavor e ansiedade, estabeleça limites!
  • Não parem suas vidas por conta do momento! Reinvente-se em suas atividades, sejam eles afazeres escolares, acadêmicos, de trabalho e domésticos.
  • Ouve-se muito a reclamação do tempo; pela falta dele, as pessoas deixaram de fazer o que tanto gostariam, deixaram de estar com quem amam e se desviaram dos seus sonhos. Agora, que você tem tempo, aproveite-o da forma mais estratégica possível.
  • Assim, faça do hoje o que você sempre quis, usando os recursos que você tem em mãos!
Publicado por Universidade Católica de Brasília

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